Clarice Lispector dizia que enquanto não estava escrevendo, nesse ínterim ela estava morta.
Nossa, como eu entendo essa perspectiva. Concluo, então, que eu ando meio zumbi.
Como (muito), durmo (pela manhã), fumo (razoávelmente), tomo banho, encontro as pessoas, falo ao telefone, exerço minhas funções biológicas/sociais.
Mas não vivo. Exceto aqui.
Rio, rio muito, danço no meu quarto.
Mas a falta de interação com outras pessoas é desesperador.
Essa sou eu, simples assim, tímida-espalhafatosa, apenas uma cínica capaz de se maravilhar, uma deprimida que tem pavor à introversão.
Louca por gente, e por incrível que pareça, cheia de reservas com gente.
Amo, e esse amor se encerra na minha carne. Mudo e amputado.
Meu amor é isso, esse ataque, bombardeio, terrorismo coisa feia, tsc, tsc, tsc da Al Kaeda. Pra chamar a atenção.
E em contrapartida, não. Meu amor é dócil, abraço de urso, coisinha fofa, filhote de cachorro, gracinha de bebê.
Não é aceito, não é compreendido, tampouco retribuído. E amor não retribuído é munição pra uma mente doentia.

Mulheres nunca aprendem realmente.

RAFAELLA



Escrito por Roxy às 08h01
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Por fora... ah!
Euforia
Amigos, cerveja durante a semana
Montanhas de cigarro
Fofocas, ‘private jokes’, gritinhos, risos,
Meu humor infame

Por dentro...
Uma nebulosidade que só vendo...

SILENCIO
NO HAY DANÇA

(Lost Highway)

 

Ando tão cansada de tudo; mesmo nos dias mais amenos, quando encontro os amigos, relaxo e me divirto.
Minha velha conhecida, a sensação de querer fugir e me auto-sabotar, me dispersar mas estar a par de tudo; cercada de neurose, obsessão, medo, angústia, arrependimento, recalque, ciúme, inveja, desconfiança, mentira, cigarro, comida, e lei do retorno: Tensa é a palavra.
Tudo isso numa coreografia bizarra encenada aos meus olhos.
E eu me confundo às vezes com aquilo que tenho que representar esporadicamente. Não há quem não passe por isso...
Tudo que eu queria mesmo era um pouco mais de sorte e bom sexo!
Ou a promessa daquela campanha publicitária: Sem jogo. Só esporte.

RAFAELLA



Escrito por Roxy às 08h38
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Amores Mal-Resolvidos

"Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40º, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Metade deste povaréu sofre de Dor de Cotovelo. Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos tem um Amor Mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação. Por que isso acontece?
Tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórico no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim. Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que Não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: lembranças, amizade, parceira, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor for devorado até o fim. Dor de Cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estarmos abertos para novos amores. Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez. Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz novamente."

Arnaldo Jabôr

É isso. Eu sou incansável, teimosa, atrevida, sem um pingo de vergonha. Eu posso ser infernal.
Deve ser isso que tá passando pela tua cabeça. Que eu sou louca, coitada. Mas eu não quero desistir, desculpa se isso te deixa constrangido...
Queria que você pudesse ler isso.

RAFAELLA



Escrito por Roxy às 08h09
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Bad Girl - Garota Má
(Madonna)

Something's missing and I don't know why
Algo está faltando e eu não sei por que
I always feel the need to hide my feelings from you
Eu sempre sinto a necessidade de esconder meus sentimentos de você
Is it me or you that I'm afraid of
É de mim ou de você que eu tenho medo?
I tell myself I'll show you what I'm made of
Eu digo para mim mesma que vou lhe mostrar do que sou feita
Can't bring myself to let you go
Não consigo me decidir a deixar você partir

Bridge (first time without first "I"):
Ponte (primeira vez sem o primeiro "eu"):

I don't want to cause you any pain
Eu não quero lhe causar dor alguma
But I love you just the same
Mas eu te amo do mesmo jeito

And you'll always be my baby
E você sempre será o meu bem
In my heart I know we've come apart
Em meu coração eu sei que nos separamos
And I don't know where to start
E eu não sei por onde começar
What can I do, I don't wanna feel blue
O que eu posso fazer? Eu não quero ficar triste

Chorus1
: Refrão 1:
Bad girl drunk by six
Garota má, bêbada às seis
Kissing someone else's lips
Beijando os lábios de outro alguém
Smoked too many cigarettes today
Fumei cigarros demais hoje
I'm not happy when I act this way
Não fico feliz quando ajo assim

Chorus2
: Refrão 2:
Bad girl drunk by six
Garota má, bêbada às seis
Kissing some kind stranger's lips
Beijando os lábios de algum tipo de estranho
Smoked too many cigarettes today
Fumei cigarros demais hoje
I'm not happy, I'm not happy
Não estou contente, não estou contente

Something's happened and I can't go back
Algo aconteceu e eu não posso voltar
I fall apart every time you hand your heart out to me
E me desfaço cada vez que você oferece seu coração para mim
What happens now, I know I don't deserve you
O que acontece agora? Eu sei que não lhe mereço
I wonder how I'm ever gonna hurt you
Eu fico pensando em como nunca te magoar
Can't bring myself to let you go
Não consigo me decidir a lhe deixar você partir

(bridge) (chorus1) (chorus2)

This way
Assim
(bridge)

(chorus1, repeat)

I'm not happy this way
Não estou feliz assim
(chorus1)

(chorus2, substituting "someone else's" for "some kind stranger's")
(refrão 2, trocando "outro alguém por "algum tipo de estranho")

This way
Assim

I'm not happy this way
Não estou feliz assim
Kissing some kind stranger's lips
Beijando os lábios de algum tipo de estranho



Escrito por Roxy às 07h51
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"Toda a felicidade que há na terra,
meus amigos, vem da luta!
Sim, a amizade requer
Os vapores da pólvora!
Em três coisas se unem os amigos:
São irmãos na miséria,
Iguais ante o inimigo
E livres diante da morte."

                     FRIEDRICH NIETZSCHE

 

 

Eu sou como o nosso ministro José Dirceu. Tenho lealdade canina aos meus amigos. Sem zona. Tem gente que confunde isso e quer montar em você.
Sabe, já esgotei a cota de gente escrota que eu conheci na vida. Mas ainda não é tarde pra recuperar o respeito deles por mim.

RAFAELLA



Escrito por Roxy às 08h44
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"Sexta-feira, 13/08/04

Temos nos falado por telefone.
É excitante, é tão revigorante.
Ele me traz vida, vida em estado bruto – ‘vontade de espécie’, é isso, esse é o nome? - , me inspira o amar desmedidamente e fora de propósito. É como se eu fosse um solo cultivado – coisa que ele faz bem até como metáfora! – mas ao invés das uvas que planta com o pai, ele semeia todas as perspectivas possíveis no meu coração. Me faz pensar mais ainda em largar as promessas de vida urbana e querer morar numa casinha no sertão, ficar cozinhando, enquanto ele trabalha. E quando chegasse cansado, eu lhe tiraria as botas, cuidava dele como Crissie Hynde naquele clipe, I’LL STAND BY YOU, a gente conversaria na varanda ouvindo Johnny Cash ou Raul Seixas.
Depois ia pro quarto e fazia um filho que eu teria na nossa cama mesmo.
E nem por isso pararia de escrever não, seria uma espécie de Isabel Allende..."
Não faz nem um mês que escrevi isso e já me decepcionei.
Quanto maior for a aposta em alguém, maior a chance de ser recíproco o encontro ou infinito o abismo.
Mais uma vez vislumbrando o baque, ainda assim, não quero ser uma eterna irônica cética ou coisa que valha.
Posso até ser maluca. Desconheço o decoro, não tenho pudor de obedecer meu instinto passional, mesmo que dê em merda. Mas, afinala capacidade de se censurar é uma benção ou uma MALDIÇÃO?
Ainda que todos concordem em uníssono que eu sou ‘doida mesmo, ai, ai, coitada’ eu sigo sendo verdadeira e cobrando isso de volta, é claro!
Aquela máscara que você se obriga a usar não só te esconde como produz reboco na alma. E fica tudo assim, cara e conteúdo, cobertos por uma argila espessa e fria chamada mentira.

RAFAELLA



Escrito por Roxy às 08h42
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Merda, Porra, Caralho...

 

Terá sido dessa vez que eu consegui banir, com a minha insensatez, o homem q eu amo da minha vida?

To bem cansada, to moralmente exausta. Meus amigos, que já me dão pouco crédito, à essa hora já atingiram o desdém completo. Gente, como é que as coisas se encaminham sempre dessa forma tragicômica, irônica e incoerente, comigo? Será vodu? Karma? Encosto? Uma leitora assídua e voraz de biografias de famosos e romances pop (eu), jamais imaginou que: Não, não é “do caralho” protagonizar cena-de-ciume-bagaceira-na-frente-de-boate. Não, não é “cool” incorporar a Connie Ramone e intimidar o seu homem na frente dos amigos dele. Não, gente, não é legal imitar Tina e Ike Turner. Não, não vale a pena achar que existe beleza numa relação como a de Madonna e Sean Penn...

Eu fui bem além do meu fetiche tolo por Jonny Thunders e Sable Starr – e afins. Consegui da maneira mais inusitada, vivenciar o outro lado da coisa. Puta... É muito confuso.

Trata-se de mim no “antigo’, querendo me divertir numa festa de amigos. Mas com a cabeça bem longe dali. Ou não, com a droga de um radar, detectando a presença dele. ELE, O cara. Melhor de todos, o mais digno, correto, de comportamento impecável e caráter idem. O santo gral em forma de músculos e virtudes. Entre uma vodka e outra viro uma esquina e me deparo com o carro dele. A válvula de transtorno emocional foi ativada. Eu entrei na Ultra atrás dele e a adrenalina neutralizou o álcool. Cana. Ele me viu. Se virou. Eu morri um pouquinho ali. Fiquei de cabeça baixa no bar (ai senhor, Morrissey entende o que é isso), acho q ele se arrependeu e voltou pra falar comigo (maldita compaixão). Repetiu-se o constrangimento do carnaval. E tal e tal. Ele se despediu e disse q ia ficar perto dos amigos, me deixou só, mais sozinha do que eu já sou por vida. Eu fiquei lá no balcão um tempo ainda com um copo na mão, chão de ninguém. Ai ele passou rápido por mim. Fui atrás, raposa. Ele não pode sair da boate, disseram q só de 2h da manhã. Ele saiu assim mesmo, só entrei, afinal, por causa da caridade de Jackie, e descambei a beber mais. E mais. E cantar Cake errado – I will survive, gente. E levantar a saia para um Leonardo aturdido e gargalhante. Em fim...

Voltei para frente da boate e fiquei esperando ele sair. Quer dizer, na real eu cogitei diversas coisas, tipo:

  • Sentar no capo do carro dele
  • Deixar um bilhete
  • Deixar uma mensagem escrita com batom no pára-brisa.

E eis que na esquina surge aquele Premio cinza. Ele vinha bem devagar. Ele tinha uma mulher do lado. Larguei Raquel e corri, furiosa, de plataforma. Bati no vidro do carro, ele abriu mais pálido que Dani Glam. Juro! Eu gritava: “Vou arranhar teu carro! Vou arranhar teu carro!” Olho esbugalhado, babando.

Ele repetia: “Calma, Rafa, você é melhor do que isso”, com aquela placidez desumana dele,  me segurando pelos punhos. A mulher a essa altura, como num passe de mágica, desatacou o cinto de segurança, sumiu, mas não antes de eu lhe dar uma bolsada na cara! Fechei a rua do Apolo, em tudo o que essa afirmação implica. Ele me tirou dali, daqueles olhares gulosos de fofoca e escárnio, me botou no carro e levou ali pero da Moeda. Chorei, me lamuriei enquanto a coriza reinava. Ele, sempre acolhedor. Sempre. Isso me desconcerta. Voltei a contragosto para casa. Praticando o que se chama em latim de “felátio”. Ele adora, sabe? E eu então... E foi isso tudo, batido no liquidificador, non sense, cretinice, drama, despudor, circo, amor, muito amor mesmo, seja ele saudável ou absolutamente pernicioso e indignificante que resultou numa das noites mais lynchianas da minha vida. Esse é meu post.



Escrito por Roxy às 18h29
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Para Beli:

(Escrevi enquanto assistia "Mistérios e Paixões", uma adaptação de O Almoço Nu)

 

Ah, essas meninas

Que ainda têm o romantismo

De pintar os olhos de negro

E tragar de modo pensativo

Cheias desses baratos literários

Mulheres Zelda

Transpirando inspiração bruta

Em diários e correspondências

Eu aqui

Você lá

Tênue e intrínseca relação

 

Tem que ser assim!

 

(Rafaella)

 



Escrito por Roxy às 20h32
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Para abrir esse "diário devassável", diário não diário, diário pensado como canal de especulação, preciso antes fechar um ciclo. Registrar o fim de um relacionamento que se desgastou, e antes disso, me levou a descobrir, ou desativar, muita coisa em mim... "(...)vivera acorrentado à Tereza durante sete anos e ela avia seguido com o olhar todos os seus passos. Era como se ela tivesse prendido bolas de ferro nos tornozelos dele. Agora, subtamente seu passo estava mais leve. Ele quase planava. Encontrava-se no espaço mágico de Parmênides: saboreava a doce leveza do ser.(...) Durante esses belos dias de melancolia sua compaixão (essa maldição da telepatia sentimental) tinha repousado. (...) Não é dela que tenho que me libertar, mas da minha compaixão, dessa doença que eu não conhecia antigamente e cujo bacilo ela inoculou em mim!" (Milan Kundera)

Se eu fui muito metafórica, é uma coisa a se melhorar aos poucos, já que os poetas são impúdicos para com suas esperiências amorosas, esploram-nas. Rá rá! coisas de Nietzsche...



Escrito por Roxy às 16h10
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Histórico
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26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
23/05/2004 a 29/05/2004
16/05/2004 a 22/05/2004
02/05/2004 a 08/05/2004




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